QUAL É O VERDADEIRO ESPAÇO ARTICULAR NUMA RADIOGRAFIA?

AUTORProf. Dr. Jairo Jaramillo Cárdenas

Muito se fala sobre colapso articular (Foto 1), redução do espaço articular, dor do osso sub-condral, etc, mas muitas vezes esses conceitos podem chegar a ser difíceis de diagnosticar quando se encontram na fase sub-aguda; não estou querendo dizer que não seja possível que eles aconteçam, mas sim que é necessário ter informações de imagem mais contundentes para analisar o prognóstico e falar com sabedoria com o proprietário.

FOTO 1: Representação fotográfica de uma radiografia DP de um boleto do membro torácico direito, mostrando um colapso medial de fácil diagnóstico. O aumento do espaço articular lateral é antagônico ao colapso medial contralateral.

FOTO 2: A-Representação fotográfica de uma ultrassonografia do côndilo femoral destacando a cartilagem normal (seta amarela), uma cartilagem com condromalâisa (seta vermelha) e com lise do osso sub-condral (seta azul); B- Representação ultrassonográfica de uma fibrilação de cartilagem hialina da tróclea medial do tâlus. Observe que a imagem parece fora de foco.

O fato de não ver uma redução do espaço articular numa radiografia, não quer dizer que o cavalo não o tenha, mas existem algumas manobras que são muito úteis e que muita gente não as conhece ou se as conhece não as usa. A Ressonância magnética é um modelo de imagem que tem trazido muitos benefícios para nossa Medicina Veterinário no Brasil, mas mesmo assim muita gente acredita que ela seja a única maneira de fazer uma leitura precisa ou confiável da superfície articular. No meu ponto de vista, a ultrassonografia (Foto 2A e 2B) e a radiografia contrastada (Foto 3) podem dar informações que em alguns aspectos conseguem ser iguais ou mais específicas que a ressonância magnética quando se fala “especificamente” da situação da cartilagem hialina como parte da superfície articular e parcialmente do osso sub-condral superficial. Observem como na Foto 2A, se compara uma superfície articular saudável (região preta / anecóica) demarcada pela seta amarela e uma região alterada  composta por lise óssea (seta azul) e engrossamento da cartilagem hialina com características degenerativas conhecidas como condromaláica (seta vermelha) num côndilo medial femoral;

FOTO 3: Representação fotográfica de uma radiografia DP (esquerda) e LM (direita) de um boleto do membro torácico esquerdo com artrografia. Observe os inúmeros recessos anatômicos que esta articulação têm. Isto sensibiliza a distribuição anatômica radiográfica para interpretação.

Já na Foto 2B, se destaca uma imagem ultrassonográfica de uma tróclea medial do talus com um processo de fibrilação severa decorrente por uma perda total da cartilagem (seta verde); observe como nesta imagem parece que a imagem capturada ficou fora de foco.

FOTO 4: Representação fotográfica de uma radiografia DP de um boleto do membro torácico direito, com uma ampliação lateral, destacando o espaço entre os dois ossos sub-condrais, sendo este espaço mal interpretado como o espaço articular.

Outro aspecto é que existe uma leitura errônea em relação a qual é o espaço articular verdadeiro de uma articulação. Na Foto 4, vemos uma radiografia DP de um boleto, onde normalmente se acredita que o espaço articular é o espaço entra as duas linhas amarelas; este conceito é incorreto; esta linha radioluscente, é o espaço entre os dois ossos sub-condrais e não é o espaço articular. Quando comparamos a radiografia DP de outro boleto com artrografia, podemos visualizar realmente qual é o espaço articular (Letra “B” com cor amarela), nesta imagem o contraste se distribui entre as duas superfícies de cartilagem hialina (Letra “A” com cor azul), tornando então o exame mais sensível (Foto 5). A artrografia utiliza um meio de contraste puro com um volume conhecido, dependendo da articulação e respeitando os métodos rigorosos de assepsia. Quando o meio de contraste se difunde dentro da superfície articular, ele apresenta imagens que não poderíamos ver sem esta técnica.

FOTO 5: Representação fotográfica de uma artrografia DP de um boleto do membro torácico direito, destacando o meio de contraste no verdadeiro espaço articular (linha amarela – letra B), e a sensibilidade de destacar a região radioluscente representando a cartilagem hialina (seta azul – letra A) da 1a falange e do 3o metacarpiano.

Aqui algumas das aplicações da artrografia são:

  1. Visualiza o espaço articular real de uma articulação
  2. Demarca a distribuição dos recessos
  3. Detecta irregularidades da superfície articular ou colapsos prematuros
  4. Detecta linhas de fratura por estresse
  5. Mapeia saída de contraste por feridas que tiveram penetração sinovial
  6. Sensibiliza a interpretação do grau de hipertrofia da membrana sinovial, entre outros.

Cada vez que for radiografar um cavalo, lembre-se da Foto 6; desta maneira, o raciocínio será outro e a capacidade diagnóstica de suspeitar se converte na capacidade de confirmar uma erosão de cartilagem, um começo de redução do espaço articular ou qualquer uma das alterações citadas nesta coluna. No programa de Xeque-Mate, treinamento integrado do aparelho locomotor, você conseguira entender e executar este e muitos outros tipos de exames radiográficos e de alto poder diagnóstico no cavalo atleta.

FOTO 6: Representação fotográfica de uma radiografia DP de um boleto do membro torácico direito, destacando-a com o meio de contraste (direita) e sem o meio de contraste (esquerda) para relembrar qual é o verdadeiro espaço articular. Esta radiografia contrastada se aplica para praticamente todas as articulações do cavalo.

Espero que tenha sido uma informação relevante para seu conhecimento e a sua rotina e caso queira conhecer mais em detalhe desta técnica, da anatomia radiográfica, laudos, diagnóstico de patologias, falsos positivos e negativos, entre outras, lhes espero no treinamento integrado Xeque-Mate especificamente no módulo de radiologia; desta forma, nos vemos em breve.

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2018-08-20T14:18:38+00:00