VOCÊ SABIA? – O QUE PODE SER?

Caso da Imagem 12.

Égua BH de salto com alguma ou algumas anormalidades importantes na foto (Figura 12A). Este caso representa uma postura típica de uma associação entre ruptura do músculo gastrocnêmio associado com uma paralisia do nervo fibular comum. O nervo fibular comum inerva todos os músculos de extensão, o que neste tipo de paralisia, um boleto sem capacidade de extensão, caracteriza a paralisia dos nervos superficial e profundo do nervo fibular. Já a deformação caudal dos músculos femorais, associada com a flexão do tarso e a tensão do músculo tensor da fascia lata, caracterizam a ruptura do músculo gastrocnêmio. Este tipo de ruptura muscular geralmente é proveniente de um movimento de abertura forçada do tarso principalmente na fase de propulsão (Figura 12B – GN=Gastrocnêmio). O tratamento é limitado e geralmente existe a incapacidade funcional do membro. A paralisia do nervo fibular comum, pode ter estado envolvida por um processo inflamatório próximo do músculo envolvido.

Caso da Imagem 13.

Histórico (Hx): Macho SRD de 5 anos (Figura 13), após a recuperação da anestesia geral intravenosa. Este caso, tem uma anormalidade no momento da fase de apoio do membro pélvico direito. Na foto 13B é possível ver o tarso deslocado caudalmente associado com um apoio na pinça do casco do mesmo membro. Embora na foto não seja visto o momento real de apoio, existe uma incapacidade na abertura da articulação femoritibiopatelar, Desta maneira, no apoio do membro pélvico direito, acontece o dito fechamento e consequentemente o deslocamento caudal do tarso; este deslocamento especificamente do osso calcâneo tensiona o tendão do músculo flexor digital superficial flexionando o boleto, induzindo o apoio em pinça. Este cavalo teve uma hiperextensão caudal do membro pélvico que acaba traumatizando o nervo femoral, induzindo um trauma direto no nervo. Desta maneira, a paralisia deste nervo, impede a contração concêntrica do músculo quadríceps femoral (Figura 13C-seta azul), que se caracteriza pela manifestação física representada na sequencia de fotos deste caso. Alguns casos tem um retorno espontâneo e outros devem ser tratados mais agressivamente. Os casos com paralisia permanente, podem viver com limitações de apoio e uma sobrecarga contralateral pode desenvolver uma laminite crônica. As estruturas que compõem o mecanismo de abertura articular femorotibiopatelar são o músculo quadríceps femoral (seta azul), a rotula ou patela (seta vermelha) e ligamentos patelares (seta amarela), representados na Figura 13C.

Caso da Imagem 14.

Histórico (Hx): Cavalo Crioulo de 5 nos que foi mudado de ambiente e trocado o seu manejo. A maior parte destes cavalos ficam soltos em piquetes e não estabulados. A postura que adopta o cavalo da foto 14A é a de hiperflexão do tarso do membro pélvico direito que poderia ser um método de relaxamento, comunicação, ou simplesmente um coice; já a foto 14B e 14C, caracterizam uma hiperflexão involuntária bilateral do membro que é considerada patológica. Este tipo de postura é clássica se conhece como o “Harpejamento”. Ela é uma entidade considerada como uma das alterações musculoesqueléticas do sistema neuromuscular. Tem origem traumática, toxica (por ingestão da planta “Hypochaeri radicata”), o iatrogênica. Depende da causa, alguns animais respondem a tratamento cirúrgico (miotenectomia do tendão do musculo extensor digital lateral), clinico (Fenitoina) ou simplesmente desaparece espontaneamente. Para casos tão severos como o desta coluna, a procura pela ingestão da H. radicata, associada à cirurgia e ao tratamento clinico, são tal vez as melhores opções.

Caso da Imagem 15.

Histórico (Hx): Cavalo macho SRD, que de uma forma fulminante, apareceu com a manifestação da foto 15. Este cavalo adotou uma postura de extensão do membro pélvico esquerdo. Nitidamente se vê sem apoio mas com a pinça deslocada caudalmente. Varios diferenciais são ativados automaticamente. Paralisia do nervo fibular comum, paralisia do nervo ciático, paralisia do nervo tíbia, ruptura do tendão extensor digital comum, um quadro de dor severo que reduz a fase cranial do passo ou que impede a flexão do membro e a fixação dorsal da patela. Neste caso, o ultimo é compatível com a foto do caso clinico número 15. A fixação dorsal da patela é um mecanismo fisiológico que o cavalo utiliza para descansar o membro contralateral, mas quando irreversível de maneira intermitente ou permanente, é considerado patológico. Estes cavalos tem uma impossibilidade de flexionar o membro, além de gerar um estresse na articulação femoropatelar. O tratamento depende da severidade; eles vão desde repouso, fisioterapia, “splint” do ligamento patelar intermédio ou até a cirurgia de desmotomia do ligamento patelar medial. Geralmente estes cavalos quando se tratam especifica e rapidamente, voltam à atividade esportiva e tem um bom prognostico. Na Imagem 15B e 15C, estão sendo comparadas duas radiografias (B) com fixação dorsal da patela e (C) sem fixação após a desmotomia patelar medial. É visível observar como na primeira imagem a patela tem uma posição mais dorsal do que na segunda.

Caso da Imagem 16.

Histórico (Hx): Potro que ficou solto numa área onde tem terreno com inclinações; ele adoptou essa posição de aparecimento agudo. Este potro possui, um conjunto de anormalidades que descreveremos aqui na inspeção estática: Ele tem apoio em pinça (seta amarela), flexão do tarso em comparação do membro contralateral (seta vermelha), falta de apoio, deslocamento caudal do membro, deformação da musculatura caudal femoral e uma linha obliqua marcada desde a tuberosidade coxal até a superfície lateral da fascia crural por tensão do músculo tensor da fascia lata (Seta azul). Esté é um quadro clássico de ruptura do músculo gastrocnêmio, que tem a função de literalmente abrir o tarso. O local mais comum de ruptura geralmente é na origem proximal (fossa supra-condilar/cabeça lateral do fêmur e superfície dorso proximla da fossa/cabeça medial do músculo . Não existe dificuldade no diagnostico, pois esta postura é patognomonica deste problema, mas infelizmente, a indicação é a eutanásia. A avaliação radiográfica e/ou ultrassonográfica, podem constatar tanto a possibilidade de fraturas por avulsão na inserção como a ruptura do músculo (acompanhado geralmente com um grande hematoma nesta região).

Caso da Imagem 17.

Histórico (Hx): Cavalo Quarto de Milha que começou com queda de performance até terminar nessa situação da foto. Este cavalo possui um fechamento importante da articulação escapuloumeral de ambos membros torácicos, o que se explica como a consequência da incapacidade na abertura do ombro (esta alteração, termina com o deslocamento cranial do tubérculo supraglenoide). A atrofia dos músculos caudais escapulares e umerais (m. tríceps braquial), acaba sendo também um efeito secundário pela angulação inclinada desta região, mantendo-os sempre em total relaxamento. Em cavalos como este, não tenho conseguido focalizar um ponto de lesão cervical pelos métodos de imagem radiográfico e ultrassonográfico. Não fico na duvida de que o problema possa ser central (medular cervical caudal) pelo comportamento simétrico bilateral do ombro e antebraço, mas como comentado, sem encontrar a causa principal do problema em cavalos com esta postura. Processos degenerativos da região medular estão no topo da lista; entretanto, doenças infecciosas, infecções protozoárias, ou traumas, também devem ser considerados. Para estes casos, entre mais próxima seja a suspeita diagnostica, tal vez poderíamos montar planos terapêuticos mais específicos.

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2018-07-27T17:50:41+00:00