QUAL É A MELHOR POSIÇÃO PARA DETECTAR OS CISTOS CONDILARES FEMORAIS?

AUTORProf. Dr. Jairo Jaramillo Cárdenas

Os cistos são uma das patologias ósseas dos cavalos atletas que podem desde passar silentes, produzir queda de performance ou induzir variáveis tipos de claudicação. Eles podem aparecer em animais novos que nunca tiveram desempenho atlético por perda da maturidade no desenvolvimento osteocondral ou em animais adultos onde micro fraturas da cartilagem por impacto ou sobrecarga, podem permitir a infiltração de líquido sinovial para o osso sub-condral; esta infiltração, induz um processo inflamatório ósseo, disparando a lise regional e consequente a formação do cisto.

Os cistos podem ser reconhecidos rapidamente com uma única radiografia quando seu tamanho é considerável, mas algumas vezes são de difícil detecção. Embora os cistos possam ter tropismo pelo osso sub-condral de articulações de alta movimentação, eles podem aparecer em outras articulações de médio ou muito baixo movimento. Uma das regiões com maior frequência de aparecimento dos cistos em cavalos de esporte é no côndilo medial femoral (Figura 1-seta amarela).

Figura 1: Representação fotográfica de uma peça anatômica da região femorotibiopatelar dissecada na vista caudal de um membro pélvico esquerdo, representando a localização dos cistos no côndilo medial do fêmur (seta azul).

Diversas classificações tem sido descritas mas particularmente o que mais me interessa quando vejo meus pacientes com um cisto é saber se o cavalo tem clínica, o tamanho do cisto, se tem cloaca aberta, a localização (articulação de alto ou baixo movimento) e a abordagem cirúrgica ou não.

Embora o objetivo desta coluna é facilitar a detecção dos cistos escondidos no côndilo medial femoral, cabe destacar que hoje em dia tem muitas opções terapêuticas para tratar os cistos propriamente ditos. O que considero mais importante novamente para saber o tratamento e classificar o prognóstico são os argumentos que citei no paragrafo anterior sem tantos números ou letras na sua classificação.

A radiografia mais comumente utilizada para a detecção dos cistos é a radiografia caudolateral-craniomedial obliqua (Figura 2 e Figura 3), devido a que  esta projeção pode reduzir a massa muscular caudal femoral e tibial que é bastante voluminosa. Geralmente os músculos semi-membranoso, semi-tendinoso, poplíteo, entre outros, reduzem a capacidade de penetração do raio x, minimizando a nitidez da imagem.

Figura 2: Representação fotográfica de uma peça anatômica óssea de um membro pélvico esquerdo representando a posição radiográfica caudolateral-craniomedial obliqua para isolar a superfície articular do côndilo medial do fêmur para a detecção dos cistos (observe como a superfície dorsal do côndilo medial é côncava-seta amarela, enquanto a lateral é plana-seta azul). Figura 3: Representação radiográfica de um membro pélvico esquerdo mostrando a posição radiográfica caudolateral-craniomedial obliqua para isolar a superfície articular do côndilo medial do fêmur para a detecção dos cistos (cisto representado pela seta verde).

A radiografia Caudo-cranial (Figura 4 e Figura 5), detecta cistos de tamanho intermediário mas não cistos que são de menor tamanho. Desta maneira, a radiografia Lateroventral-mediolateral obliqua a 30 graus é com certeza a melhor opção para o reconhecimento dos cistos minúsculos que certamente não poderiam ser observados nas posições anteriormente citadas (Figura 8). Esta projeção é tão sensível, que poderia ser uma das projeções obrigatórias dentro da rotina radiográfica durante o exame radiológico em cavalos durante avaliação pre-compra (Figura 6 e Figura 7).

Figura 4: Representação fotográfica de uma peça anatômica óssea de um membro pélvico direito mostrando a posição radiográfica caudo-cranial. Esta é a posição clássica dos cistos côndilares femorais. Figura 5: Representação radiográfica de um membro pélvico direito mostrando a posição radiográfica caudo-cranial (cisto representado pela seta verde).

Figura 6: Representação fotográfica de uma peça anatômica óssea de um membro pélvico esquerdo mostrando a posição radiográfica lateroventral-mediolateral obliqua a 30 graus. Esta é a posição mais sensível para poder observar os cistos no côndilo medial do fêmur por menores que sejam. Observe nesta radiografia um grande cisto (seta amarela) no côndilo medial do fêmur e o deslocamento caudal do côndilo lateral para sensibilizar a imagem (seta vermelha).

São necessárias 3 pessoas; um operador segura o chassis enquanto os outros dois seguram a tíbia para induzir a flexão e o outro o emissor do aparelho. Entre mais flexionada esteja a patela, mais exposição do côndilo femoral será executado. Outro truque importante, é que se a direção do emissor for sutilmente crânio caudal, o côndilo femoral ficara mais cranial do que o côndilo lateral, facilitando a sua exposição (Figura 7). O intuito final desta radiografia é isolar para cranial e para ventral o côndilo medial femoral.

Figura 7: Representação radiográfica de um membro pélvico esquerdo mostrando a posição radiográfica lateroventral-mediolateral obliqua a 30 graus (cisto de tamanho considerável representado pela seta amarela); observe o côndilo lateral (seta vermelha) deslocado para caudal e para dorsal.

Lembre do que sempre citamos durante as colunas; entre mais conhecimento anatômico você tenha, mais facilidade de raciocínio poderá ter para se orientar em relação à posição espacial do esqueleto para induzir numa ótima radiografia.

Figura 8: Representação radiográfica de um membro pélvico esquerdo mostrando a posição radiográfica lateroventral-mediolateral obliqua a 30 graus mostrando um pequeno cisto representado pela seta amarela; observe que apesar do cisto ser pequeno, ele é totalmente visível nesta posição e para este cavalo, não foi possível a sua observação nas outras duas posições citadas no texto.

ASSINE AGORA

Solicite sua assinatura da maior Revista especializada em Equinos do Brasil!

Entre em contato
2018-08-20T14:24:20+00:00